UM MONTE DE LIXO – WHAT ELSE?

Ou a saga do último dos Rs

Que me perdoem os fãs do café expresso e sobretudo as fãs do Sir George , mas a nova máquina de café e nescafé, de congéneres de várias marcas, é – pode dizer-se – uma autêntica fabriqueta de lixo em forma de capsulazinhas coloridas de alumínio misturado com café. A campanha publicitária massiva na TV tornou concerteza a tornar as vendas mais eficazes e fará baixar o preço deste tipo de equipamento, cujo design em boa verdade não deveria sequer ser aceite numa em que tanto se propalou a chamada política dos 3 Rs, a Redução, Reutilização e Reciclagem de resíduos.

O primeiro desses 3Rs, a redução de produção de resíduos, tornou-se de facto o último em importância. A redução do lixo produzido deveria ser a primeira das prioridades, desde logo a ser aplicada ao nível do design dos novos produtos e seus materiais. Neste caso, os resíduos da produção de uma bica, em vez de serem apenas uma pasta orgânica composta por café – que até pode ser usada em compostagem e resultar num excelente húmus natural – passaram a ser uma bolinha colorida de alumínio contendo café e filtros, numa mistura difícil de separar e reciclar. Sim, o café até pode ficar um pouco mais fresco, mas este ssitema faz tudo, em nome da preguiça do para dar uma lavagem à dita máquina.

Em nome do “mais depressa” do “mais fácil” do “mais cómodo” é que temos o Planeta no estado em que temos. Infelizmente muito poucos perceberam isso, enquanto o Estado – a quem competiria taxar fortemente os produtos e equipamentos mais geradores de lixo – se demite do seu papel regulador. O princípio do poluidor-pagador parece ter sido metido na gaveta. A TV e a continuam a sua cavalgada alucinante e enquanto o planeta real se degrada, as pessoas são mantidas em alienação na Matrix consumista que propulsiona a do insustentável. What else?

O facto de a ter obtido a classificação AAA Sustainability dada pela The RainForest Alliance e a promessa (não cumprida) da empresa em criar uma rede de reciclagem, dá a entender que o café é quase ecológico, mas o facto é que na grande maioria dos países não existe rede de reciclagem e a maior parte das pessoas deita tudo para o lixo.

About the author

Paula Lopes da Silva Graduated in Biology, with training in Quality and Management. Project coordinator at Quercus ANCN. Civil servant at Moita Municipality. Environment activist, ex-board member in national and european NGOs. Also interested in good governance, transparency and accountability of NPOs. Likes history and historical recreation, drawing, cartooning and performing. Roman Catholic.

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Note: this article was last updated in April 20th, 2010

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