meaningfull

random notes from our staff

De facto, os resultados de Copenhaga não são muito bons, mas a verdade é que o estado da governança global ainda está a dar os primeiro passos, como disse o Embaixador do Reino Unido numa entrevista na TV.

Conseguir “atravessar a muralha da China” (os primeiros portugueses que foram à China em Missão não comercial foram simplesmente decapitados) ou “romper com o mito do sonho americano de ser rico” (até Obama se referiu a isso como algo positivo num dos seus discursos de campanha) é por si só difícil, por isso talvez já tenha sido dado um passo importante, embora pequeno face ao desafio em causa.

E é difícil porque tem consequências económicas, tudo isto mexe com o modelo económico, mexe com o consumismo, mexe com a ganância e o individualismo.

A nova governança global implica um sentido de solidariedade e justiça global. Significa também respeito pelas gerações futuras.
Significa amar a nação alheia como se fosse a nossa, como diria Chiara Lubick, e também amar as futuras gerações como se fossem as nossas presentes.

A mudança não tem como base de alavanca apenas uma base científica e técnica. Tem como base uma Ética e uma Moral, uma capacidade de alargar horizontes. As pessoas raramente se mobilizaram por razões técnicas, elas mobilizam-se por razões de sobrevivência, em primeiro grau, mas também por causas que as comovem, que mexem com os seus valores éticos, morais e religiosos.

Cruzados, Séc. XI e XII
Pós-Copenhaga - continuar a batalha.
Um apelo à cruzada do século XXI?

Lembremo-nos das cruzadas, um dos maiores movimentos “globais” das pessoas! Foi um apelo de um Papa, Urbano II no século XI, e as pessoas mobilizaram-se maciçamente, apesar de não haver telefone, internet nem sequer meios de transporte “decentes”. Claro, não vamos agora discutir se o movimento das cruzadas foi bom, mau ou péssimo. A questão é saber interpretar a História. Na altura a ideia era libertar e salvar Jerusalém do domínio dos turcos e isso foi o suficiente para mobilizar a maior parte das pessoas (há sempre alguns que são oportunistas).

Agora até podia ser libertar e salvar a Terra do domínio de quem a quer refém, poluída, esventrada e saqueada. A violência já não está na moda e já não dá para montar a cavalo e andar à espadeirada por aí, mas algo se poderá fazer certamente contra o “inimigo”.

Por isso, venho falar daquilo que já venho a falar há algum tempo com outros ambientalistas na Europa: um trabalho próximo e activo com os líderes religiosos.

A liderança política não é tudo, aliás em muitos locais a classe política está mal vista e já nem tem a confiança das pessoas. Mas os líderes religiosos têm a oportunidade de ter contacto com muitos fiéis regularmente (diária, semanal, anual) e passar mensagens que têm impacto directo nos comportamentos. O líder tibetano Dalai-Lama conseguiu impedir que os tibetanos perseguissem determinada espécie de tigre, cuja pele era usada em rituais religiosos.

Não importa que alguns ambientalistas sejam indiferentes ou mesmo contra a religião. Têm é de reconhecer que os sistemas e organizações religiosas são um meio e que os líderes podem influenciar as pessoas numa causa global, que está ligada a pilares éticos e morais de vida. Em cada tempo histórico os estudiosos de todas as religiões têm interpretado os “sinais dos tempos” à luz da sua religião, através da teologia. É fundamental incentivar, apelar a estes estudos teológicos e sobretudo a uma liderança por parte dos líderes.

E talvez um dia vejamos o Papa e outros líderes religiosos apelar com vigor e emoção, tal como Urbano II, senão a uma cruzada global pelo Planeta Terra, pelo menos à mobilização das pessoas pela protecção da criação de Deus, pelo amor aos povos do Mundo inteiro – Tuvalu incluído – pelo amor aos nossos netos e futuras gerações, e pelo amor a todos os seres vivos.